Pedestres sem espaço nas calçadas de Caruaru

Pedestres sem espaço nas calçadas de Caruaru
A cidade se tornou um problema para quem circula nas calçadas nesta época do anoWagner Gil

Caruaru vive hoje praticamente os mesmos problemas das grandes capitais: trânsito lento em horário de pico e a ocupação das calçadas por comerciantes, camelôs, entregadores de panfletos e consultores de operadoras de telefonia. Em dias de Feira da Sulanca, a quantidade de vendedores na cidade praticamente dobra. Segundo o secretário da Fazenda, André Alexei Lyra, cerca de 25 mil vendedores atuam no Parque 18 de Maio em dias de Sulanca. Entre os meses de novembro e dezembro, o número de vendedores ultrapassa 40 mil. “Essa é uma característica da cidade. Caruaru surgiu do comércio informal. Antes de ser uma cidade, as pessoas se encontravam aqui para comercializar seus produtos, muitas vezes utilizando a troca de mercadorias”, disse o secretário.

Com um comércio que recebe compradores de praticamente todo o Nordeste, Caruaru se tornou um grande problema para quem circula nas calçadas neste período. Algumas pessoas reclamam, mas a grande maioria diz estar acostumada. “Realmente venho a Caruaru há vários anos, mas isso sempre ocorreu. O comércio ambulante aqui é muito forte e, além de comprar nas lojas, sempre levo algumas coisas dos ambulantes”, disse a dona de casa Sueli Andrade Melo, de 47 anos. “Mas é assim mesmo, estamos acostumados. Quanto mais gente vendendo, temos mais opções de produtos e preços”, afirmou a estudante Priscila Suanne, 22.

Os que reclamam cobram modernidade e investimento em mobilidade urbana. “Isso é um absurdo ter que dividir a calçada com mercadorias, ambulantes. O problema é que aqui em Caruaru muita gente que tem estabelecimento ocupa as calçadas também. Uma cidade que cresce como Caruaru deveria planejar esse crescimento”, declarou o universitário Rodrigo Lyra, 24. “O problema é que tem muito ambulante. Nessa época chega a ser uma verdadeira invasão”, disse a enfermeira Rosiclere Aguiar, 35.

A prefeitura justificou o crescimento nesse período, destacando a questão social. “Lógico que estamos preocupados com o crescimento do comércio informal, mas não podemos esquecer o lado social. Afinal, é nesse período que as famílias fazem de tudo por uma renda extra, principalmente quem não tem emprego”, disse o secretário da Fazenda. Apesar do aumento de ambulantes, ele destacou que a arrecadação nesse setor não aumenta, porque, na maioria dos casos, são pessoas que estão desempregadas que aproveitam o período para atuar como ambulantes. Eles não fazem cadastro ou solicitam abertura de alvará no Departamento de Feiras e Mercados.

As ruas com mais problemas de ocupação de calçadas são 15 de Novembro, 7 de Setembro, Duque de Caxias, Vigário Freire, João Condé, Martins Júnior e São Sebastião. Por esses locais passam mais de 60 mil pessoas por dia. Em muitos casos, boa parte dos lojistas aluga espaços na parede exterior de seus estabelecimentos, encurtando o passeio público. VANGUARDA ouviu dois ambulantes que confirmaram o pagamento de aluguel para expor e vender produtos nas paredes. “Eu pago uma média de R$ 650 por mês”, revelou um deles, que pediu para não ser identificado.

O secretário de Gestão e Negócios Municipais, que engloba o Departamento de Feiras e Mercados, Anselmo Pereira, disse que neste período a PMC aumenta a quantidade de fiscais de 80 para 120 homens. “Não podemos esquecer que Caruaru tem um raio de influência muito grande. Em menos de 20 quilômetros temos cidades como Agrestina, Bezerros, Riacho das Almas, Toritama e São Caetano. Muitas pessoas dessas cidades também vêm a Caruaru para vender”, explicou Anselmo. Ele lembrou ainda que a maioria dos comerciantes das cidades vizinhas abastece seus estabelecimentos na Capital do Agreste. “Como essa ‘invasão’ de vendedores ocorre em épocas específicas, como São João, Semana Santa e Natal, pouca gente procura a prefeitura para liberação de um alvará. Devemos ter pelo menos cinco mil ambulantes vendendo neste período”.

Estacionamento irregular é outro problema
Outro grande problema em Caruaru é a quantidade de veículos estacionados em cima das calçadas ou ocupando áreas destinadas a deficientes ou rampas de acesso. “Nesse período, o pior de tudo é ver um carro estacionado numa calçada. Em Caruaru isso é um fato bastante comum”, disse o comerciante Paulo Melo.

O gerente de fiscalização da Destra, Alex Monteiro, afirmou que a prefeitura tem autuado um número grande de veículos todos os dias, mas que neste momento o trabalho terá mais contundência porque a PMC tem um depósito para remover os infratores. “Nossa intenção é intensificar esse trabalho”.

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